Reeducação de agressores: um caminho para prevenir o feminicídio

Reeducação de Agressores
Nesta semana, nos deparamos com mais um caso de feminicídio, que chama ainda mais atenção pela relevância da vítima: a primeira mulher comandante da GCM (Guarda Civil Municipal) de Vitória, no Espírito Santo. O principal suspeito do crime é o ex-namorado da vítima, um policial rodoviário federal que, segundo informações divulgadas, cometeu suicídio após a morte da comandante. Casos como esse evidenciam a necessidade de leis federais mais firmes, que garantam que agressores e feminicidas cumpram suas penas de forma integral. Porém, este é mais um caso de feminicídio seguido de suicídio, em que o autor não poderá ser punido.
Precisamos fazer algo para que esse ciclo de violência cesse. Para isso, estados, conjuntamente com municípios, devem criar programas de acompanhamento para agressores. Uma das sugestões é a implementação de terapias em grupo, comandadas pelas Secretarias de Segurança Pública, da Mulher e de Assistência Social. Esse ciclo de palestras e grupos reflexivos para autores de violência doméstica é uma estratégia educacional e de responsabilização prevista na Lei Maria da Penha. O objetivo é romper o ciclo de violência, prevenir novos episódios e promover a reeducação de homens agressores, abordando temas como masculinidade, igualdade de gênero e as diversas formas de violência.

As palestras podem ser ministradas por psicólogos, psiquiatras, médicos, advogados, delegados de polícia, entre outros profissionais que possam ajudar a sensibilizar e transformar esses agressores. É fundamental mostrar como o feminicídio destrói famílias, deixando filhos órfãos, além de evidenciar os perigos que essas crianças enfrentam sem a presença e a proteção dos pais. Muitos agressores só se arrependem após o fato consumado e diante de suas consequências. Precisamos impactá-los a refletir antes que o feminicídio aconteça.
Muitas vezes, o álcool e as drogas estão presentes nesses episódios de violência. Por isso, é importante que as políticas públicas também incluam o enfrentamento aos vícios. Nessas palestras, também podem ser apresentados relatos de homens que perderam o controle e destruíram suas famílias, com depoimentos que mostrem o quanto um ato impensado pode arruinar vidas e comprometer o futuro dos filhos.
Outro ponto urgente é o funcionamento das DDMs (Delegacias de Defesa da Mulher) 24 horas por dia, especialmente aos finais de semana, período em que os casos de violência tendem a aumentar, muitas vezes associados ao consumo de álcool. Essa ação precisa ser conjunta, envolvendo a sociedade civil, os governos federal, estadual e municipal, além do Judiciário. Chegou o momento de unir esforços para salvar vidas.

Sandra Campos conhece bem a dor e a transformação que podem nascer do sofrimento. Há dois anos, perdeu seu filho, de 24 anos, para o suicídio. Desde então, decidiu transformar essa dor em propósito e passou a atuar como ativista pela vida por meio do projeto “Não te julgo, te ajudo!”. WhatsApp: (11) 94813-7799.



