
A reunião realizada na manhã desta quarta-feira (04), logo após a 23ª Sessão Extraordinária da Câmara Municipal, expôs algo muito maior do que uma simples divergência sobre uma obra pública de R$ 2,5 milhões.
O encontro entre vereadores, representantes do COMTUR e membros da sociedade civil revelou uma pergunta que continua sem resposta clara para a população:
Qual é a prioridade do turismo de Paraguaçu Paulista neste momento?
O projeto em discussão prevê a reforma do antigo prédio da Casa da Lavoura (CATI), que passaria a abrigar o Centro de Atendimento ao Turista (CAT) e a sede administrativa da Secretaria Municipal de Turismo.
O problema é que, durante toda a reunião, o foco do debate deixou de ser o prédio e passou a ser algo muito mais profundo: os próprios atrativos turísticos da cidade.
Diversos participantes questionaram o fato de Paraguaçu Paulista possuir obras e equipamentos turísticos que consumiram milhões de reais ao longo dos últimos anos e que, segundo os relatos apresentados, continuam sem funcionamento pleno ou aguardando definições.
Foram citados durante a discussão:
- Trem Turístico Moita Bonita;
- Museu Ferroviário;
- Balneário Municipal;
- Jardim das Cerejeiras;
- Outros equipamentos turísticos que ainda enfrentam dificuldades de operação.
A crítica central apresentada por vereadores e membros do próprio COMTUR foi simples:
Faz sentido investir R$ 2,5 milhões em uma nova estrutura administrativa antes de garantir que os atrativos turísticos estejam efetivamente funcionando?
A pergunta não é absurda.
Na verdade, é exatamente o tipo de questionamento que qualquer cidadão faria ao observar a situação atual do turismo local.
Uma sede moderna pode ser importante.
Um Centro de Atendimento ao Turista pode ser necessário.
Mas atendimento a qual turista?
Essa foi a essência do debate.
Durante a reunião, representantes da hotelaria afirmaram que votaram contra a aprovação do projeto dentro do COMTUR justamente por entenderem que o município deveria priorizar a recuperação e o funcionamento dos atrativos já existentes.
Também foi questionado o curto prazo dado aos conselheiros para analisar a proposta, com relatos de que a votação ocorreu poucos dias após a apresentação formal do valor atualizado do projeto.
Outro ponto relevante foi a confirmação de que a aprovação do projeto dentro do COMTUR não ocorreu por unanimidade, contrariando a impressão inicial transmitida à população.
Houve votos contrários, houve abstenções e houve divergências registradas.
Isso demonstra que nem mesmo dentro do órgão responsável pela deliberação turística existe consenso absoluto sobre a melhor aplicação dos recursos.
Por outro lado, representantes do conselho e da Secretaria de Turismo defenderam que o projeto não se trata apenas de uma sede administrativa, mas sim da criação de um Centro de Atendimento ao Turista, capaz de melhorar a estrutura institucional do setor, aumentar a pontuação do município em avaliações técnicas e preparar a cidade para futuros investimentos.
O argumento possui lógica.
Mas também gera uma reflexão inevitável.
Se o objetivo é preparar a cidade para o futuro, por que tantos projetos do passado ainda aguardam conclusão?
A população tem o direito de saber.
Tem o direito de conhecer os projetos completos.
Tem o direito de analisar planilhas, cronogramas, contratos e justificativas.
Tem o direito de entender por que uma cidade que recebeu dezenas de milhões de reais em investimentos turísticos ainda convive com tantos equipamentos sem funcionamento pleno.
O debate de quarta-feira mostrou que a verdadeira discussão já não é apenas sobre um prédio.
É sobre planejamento.
É sobre prioridades.
É sobre resultados.
E, principalmente, é sobre transparência.
A pergunta que permanece no ar não é se a nova sede é bonita, moderna ou necessária.
A pergunta é outra:
O que gera mais turismo para Paraguaçu Paulista hoje: uma nova sede administrativa ou atrativos turísticos funcionando e recebendo visitantes?
Enquanto essa resposta não for claramente demonstrada à população, os questionamentos dificilmente irão desaparecer.
E talvez nem devam.
Porque quando se trata de R$ 2,5 milhões em dinheiro público, questionar não é atrapalhar.
É exercer cidadania.



