Anatel Adia Leilão Da Faixa De 700 Mhz Para 2026
A Anatel Desvia o Olhar Do Leilão de 700 MHz Para 2026
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu adiar o leilão da faixa de 700 MHz, um movimento que pode alterar o cenário competitivo no setor de telecomunicações. A decisão foi anunciada na terça-feira (25) durante o TELETIME Tec, em São Paulo, e causa preocupação entre as operadoras de pequeno porte.
De acordo com Nilo Pasquali, superintendente de Planejamento Regulatório da Anatel, o edital está praticamente pronto e deve ser publicado nas próximas semanas. No entanto, os prazos regulatórios tornam impossível a realização do leilão ainda em 2025, empurrando a disputa para o início de 2026.
A Anatel está pressa para cumprir as metas associadas ao edital, que incluem compromissos de cobertura e expansão de infraestrutura. As primeiras metas estão previstas para serem cumpridas já no fim de 2026, o que reforça a necessidade de publicar o documento rapidamente.
A faixa de 700 MHz é considerada essencial para a melhoria de redes 4G e 5G em áreas remotas e urbanas, devido à sua capacidade de ampla cobertura e penetração indoor. A Anatel busca favorecer uma competição mais equilibrada, especialmente em regiões onde grandes teles já dominam o espectro.
O novo leilão do espectro de 700 MHz terá uma arquitetura voltada a priorizar empresas de menor porte e estimular a competitividade no setor. A primeira fase será restrita às prestadoras de pequeno porte (PPPs) que já detêm frequências de 3,5 GHz, caso de Brisanet, Unifique, Ligga/Sercomtel e iez! telecom.
Em uma segunda rodada, se ainda houver lotes disponíveis, todas as empresas de pequeno porte poderão participar. Somente se restarem frequências disponíveis após as duas fases iniciais é que Vivo, TIM e Claro poderão disputar os lotes.
A faixa de 700 MHz é estratégica devido à sua capacidade de cobertura mais ampla, melhor penetração indoor e combinação com 5G. Embora não seja uma banda originalmente designada para o 5G, o 700 MHz é fundamental para sustentar agregação de portadoras e ampliar o alcance das redes de quinta geração em modelos non-standalone.
O adiamento do leilão não altera a expectativa do setor de que 2026 será um ano de forte movimentação no mercado móvel. A entrada potencial de novos players, aliada à ampliação de espectro das PPPs, pode acelerar a desconcentração regional, sobretudo no Nordeste, Sul e Centro-Oeste.
Além disso, metas agressivas associadas ao edital pressionarão vencedores a investir rapidamente em infraestrutura, algo que pode resultar em melhorias de cobertura já a partir do fim de 2026. Para executivos de TI, telecom e grandes empresas usuárias de conectividade, o leilão poderá abrir oportunidades de parcerias com novos operadores, gerar alternativas de redundância e elevar a qualidade dos serviços oferecidos no país.


