STF: Ministro vota por direito de pais vetarem temas de gênero
Ministro do STF defende direito de pais sobre conteúdo escolar
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, votou favoravelmente à manutenção de uma lei estadual que assegura aos pais e responsáveis o direito legal de vetar a participação de seus filhos em atividades pedagógicas voltadas à identidade de gênero, tanto na rede pública quanto na privada.
Ao apresentar seu voto, o magistrado enfatizou que a Constituição Federal estabelece a família como um dos pilares fundamentais na proteção dos direitos das crianças e adolescentes. Segundo o entendimento exposto, o papel parental extrapola a responsabilidade básica, incluindo o dever de conduzir escolhas morais, culturais e educacionais essenciais para a formação dos dependentes.
Divergências e fundamentos jurídicos
O posicionamento de Mendonça contrasta diretamente com o voto da relatora, a ministra Cármen Lúcia. Para a relatora, a legislação capixaba invade competências que seriam exclusivas da União, alegando que normas sobre diretrizes educacionais deveriam possuir caráter nacional. Além disso, a ministra pontuou preocupações sobre a possível violação à liberdade de expressão e à igualdade, alertando para os riscos da censura em sala de aula.
Em contrapartida, o ministro André Mendonça defendeu que a matéria trata, fundamentalmente, da proteção à infância e à juventude. Sob essa ótica, a competência seria compartilhada entre os entes federativos, permitindo que estados e municípios atuem na suplementação de normas conforme seus contextos e peculiaridades locais.
O impacto da legislação nas escolas
A norma em questão, que foi objeto de contestação por entidades como a Aliança Nacional LGBTI+ e a Abrafh, exige que as instituições de ensino informem previamente aos pais sobre qualquer atividade que aborde diversidade sexual ou orientação sexual. Caso a escola omita tais informações, poderá responder civil e penalmente.
O exercício desse direito pelos pais deve ser formalizado mediante documento assinado. A discussão agora aguarda novos desdobramentos, após um período de suspensão solicitado pelo próprio ministro em novembro do ano passado. O julgamento coloca, novamente, no centro do debate nacional o limite entre a autoridade das instituições de ensino e o poder de decisão das famílias sobre a educação escolar de seus filhos.



