Entre a Sinfonia e o Silêncio: O abismo entre a excelência cultural do passado e o atual escândalo da Lyra em Paraguaçu
Reflexão nas redes sociais feita por Maestro escancara o contraste entre a entrega de resultados históricos no Theatro Lucila Nascimento e os atuais instrumentos abandonados pela Secretaria de Cultura.

A gestão cultural de Paraguaçu Paulista vive um momento de profunda contradição, evidenciado não apenas pelas denúncias que tramitam no Legislativo, mas pela memória recente de quem já esteve à frente de grandes realizações na cidade. Enquanto a atual Secretaria de Cultura tenta explicar o paradeiro de verbas públicas e o abandono de instrumentos musicais da tradicional Lyra Municipal, um resgate histórico nas redes sociais colocou o debate em outra perspectiva: o que acontece quando há gestão eficiente?
O Peso da Realização: Beethoven em 5 Dias
A reflexão foi levantada nesta semana pelo maestro paraguaçuense Dante Mantovani, Gestor Cultural e atual Presidente do Instituto Aprimus. Em uma publicação, o maestro resgatou um vídeo de dezembro de 2021, durante o 4º Festival de Música da cidade.< /p>
Entre a Sinfonia e o Silêncio O abismo entre a excelência cultural do passado e o atual escândalo da Lyra em Paraguaçu
O registro documenta um dos últimos grandes atos do Theatro Municipal Lucila Nascimento antes de seu fechamento: a execução da complexa Quinta Sinfonia de Beethoven por uma orquestra de jovens e adolescentes. O detalhe que chama a atenção é que o grupo foi preparado sob a direção de Mantovani em apenas cinco dias.
Além do feito artístico, o maestro relembrou a conquista institucional da época, quando viabilizou uma verba de R$ 300 mil destinada à reforma do teatro. “A ‘Sinfonia do Destino’ não é apenas sobre música; é sobre a capacidade de realizar o que, para muitos, parecia improvável”, destacou no texto.
O Contraste: Instrumentos Embalados e Verba sem Rastro
O contraste apontado pelo maestro escancara a atual crise enfrentada pela pasta comandada pelo Secretário Fernando Ferreira Krokarez de Souza. Hoje, o cenário de jovens executando alta cultura deu lugar a um silêncio burocrático e suspeito.
Como a Folha de Paraguaçu vem acompanhando, R$ 29.779,00 já saíram dos cofres públicos — de um total de R$ 81.523,08 em emendas impositivas — para a compra de instrumentos destinados à Lyra Maestro Roque Soares de Almeida. A realidade, porém, é de abandono. Os equipamentos entregues estão lacrados em caixas, com especificações alteradas em relação ao Termo de Referência, e itens foram devolvidos sem documentação rastreável.
De Gestão de Excelência a Alvo de Investigação
A publicação do maestro serve como um espelho incômodo para a atual administração. O paralelo traçado nas redes sociais questiona como a cidade regrediu de um polo capaz de formar uma orquestra sinfônica juvenil em tempo recorde para um município onde a banda tradicional não consegue sequer utilizar os instrumentos que foram comprados com dinheiro público.
Na próxima semana, a Câmara Municipal realizará uma reunião decisiva para definir as sanções e os encaminhamentos jurídicos do escândalo da Lyra. Enquanto o Legislativo busca respostas para o desperdício do erário, a população de Paraguaçu Paulista fica com a dura lembrança de que a cultura da cidade já foi pautada por sinfonias, e não por inquéritos.



