Júri Condena 5 Mulheres por Homicídio em Florínea a Até 24 Anos
Após 17 horas de julgamento, Tribunal de Assis define penas em regime fechado para acusadas de perseguição e assassinato brutal.

Em um desfecho judicial marcante para a região, o Tribunal do Júri da Comarca de Assis determinou, nesta quarta-feira (20), a condenação de cinco mulheres envolvidas no assassinato de Jorge Maria da Silva. O crime, que abalou a cidade de Florínea em julho de 2025, resultou em penas severas que variam de 18 anos e 8 meses a 24 anos de reclusão. Todas as sentenças deverão ser cumpridas em regime inicial fechado, com ordem de execução imediata.
A decisão, proferida pelo juiz Bruno César Giovanini Garcia, titular da 2ª Vara Criminal e da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Assis, reforça a gravidade da ação coordenada pelas rés após intensa deliberação judicial.
Detalhamento das Penas e Qualificadoras
Durante o julgamento, que se estendeu por mais de 17 horas, o conselho de sentença reconheceu múltiplas qualificadoras que agravaram as condenações, como motivo fútil, emprego de meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
A maior sanção foi imposta a Ana Júlia Barbosa Cardoso, sentenciada a 24 anos de prisão. Viviane Amaral de Almeida e Clara Teganhe Moreira receberam, cada uma, penas de 21 anos e 4 meses. Já Daniela Lopes dos Santos e Márcia Aparecida dos Santos Onça foram condenadas a 18 anos e 8 meses de reclusão.
O magistrado destacou na sentença a “deliberada persistência no intento homicida”, evidenciada pela perseguição implacável à vítima em via pública durante o período noturno, o que potencializou a sensação de insegurança social.
A Dinâmica do Homicídio nas Ruas de Florínea
A apuração dos fatos revela que o trágico episódio teve início após um desentendimento. Jorge Maria da Silva, sob efeito de bebida alcoólica, teria proferido ofensas contra o grupo de mulheres durante uma discussão em frente a uma residência.
Após o atrito inicial, a vítima tentou deixar o local, mas foi brutalmente perseguida pelas ruas do município. Ao ser encurralado na Rua José Arcanjo, Jorge tentou se proteger usando um pedaço de madeira. No entanto, o cerco feito por Márcia, Clara e Ana Júlia impediu qualquer rota de fuga, permitindo que Daniela e Viviane desferissem os golpes de faca fatais. Embora tenha sido socorrido e encaminhado ao pronto-socorro local, o homem não resistiu à gravidade das perfurações.
A Polícia Militar agiu com rapidez na época, localizando as cinco envolvidas escondidas em uma casa próxima à cena do crime. A perícia técnica apreendeu um cabo de enxada com vestígios de sangue; contudo, a arma branca utilizada nos golpes jamais foi encontrada.
Defesa Anuncia Recurso de Apelação
A equipe de advogados responsável pela defesa de três das condenadas emitiu uma nota oficial detalhando os próximos passos jurídicos. Segundo os defensores, o objetivo agora é ingressar com recurso junto aos tribunais superiores.
A banca buscará a anulação da Sessão Plenária ou, alternativamente, a readequação das penas impostas. A defesa pontua que, apesar da condenação majoritária, o júri acatou a tese de exclusão de certas qualificadoras para duas das clientes representadas, o que pavimenta o caminho legal para os questionamentos futuros buscando a redução das sanções.



