Um Terço dos Cursos de Medicina no Brasil é Mal Avaliado no Enamed
Um terço dos cursos de graduação em Medicina no Brasil falhou em atingir os padrões mínimos de qualidade estabelecidos pelo Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, o novo e rigoroso critério do Ministério da Educação (MEC). Esta avaliação, cujos resultados recentes foram divulgados, revela que aproximadamente 99 das 351 instituições analisadas obtiveram conceitos 1 e 2, considerados insatisfatórios, gerando preocupação sobre a preparação dos futuros profissionais da saúde no país.
Na escala de avaliação, que varia de 1 a 5, notas 1 e 2 indicam desempenho abaixo do proficiente. Além dos quase cem cursos com resultados insatisfatórios, o levantamento aponta que apenas 30 instituições alcançaram a nota máxima (conceito 5). A maioria dos cursos se concentrou nos conceitos intermediários (3 e 4), mas a disparidade entre as categorias de instituições é notável.
A Folha de Paraguaçu apurou que o desempenho deficiente se concentrou, sobretudo, em cursos públicos municipais e privados com fins lucrativos. Estas categorias foram as que mais registraram conceitos insatisfatórios, contrastando com as instituições públicas federais e estaduais, que consistentemente demonstram melhores resultados nas faixas superiores de conceito.
O Enamed, instituído em abril de 2025 pelo Ministério da Educação (MEC), representa um marco na avaliação da formação médica, substituindo o tradicional Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para esta área específica. A primeira edição do exame, aplicada em 19 de outubro de 2025 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mobilizou mais de 96 mil estudantes, incluindo concluintes e profissionais já formados que buscavam utilizar os resultados para seleção em residências médicas. A prova foi elaborada com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais e em critérios essenciais para as competências profissionais dos futuros médicos.
MEC Anuncia Medidas de Supervisão e Penalidades
Diante dos resultados preocupantes, o Ministério da Educação (MEC) confirmou que os cursos com desempenho insatisfatório enfrentarão penalidades. O titular da pasta enfatizou que as instituições estaduais e municipais, embora não estejam sob a gerência direta do ministério para punições imediatas, serão igualmente alvo de monitoramento rigoroso.
As faculdades com conceito 1 ou 2 podem ser submetidas a um regime de supervisão estratégica a partir de 2026. Este regime implica em restrições administrativas severas, como impedimento de ampliação de vagas, suspensão de vestibulares e proibição de oferta de novos cursos. Além disso, há a possibilidade de penalidades no acesso a programas de financiamento estudantil e bolsas ligadas ao Fies e ProUni.
A iniciativa, conforme o próprio MEC já destacou, visa aprimorar a qualidade do ensino, funcionando como um instrumento de correção e monitoramento. Em casos extremos de não melhoria dos indicadores, o Ministério não descarta medidas ainda mais drásticas, incluindo a desativação de turmas ou até mesmo o fechamento de cursos de Medicina.



