Eurovision 2025: Emissoras boicotam festival por presença de Israel
A 70ª edição do Festival Eurovision da Canção, um dos eventos musicais de maior audiência no mundo, enfrenta uma crise sem precedentes às vésperas de sua abertura em Viena, na Áustria. Emissoras públicas da Espanha, Irlanda e Eslovênia anunciaram o cancelamento da transmissão da competição, marcada para ocorrer entre os dias 12 e 16 de maio, em protesto direto contra a presença de Israel no concurso.
Decisões drásticas na programação
O impacto do boicote já pode ser sentido na grade de programação das emissoras europeias. Na Eslovênia, a RTV confirmou que, em vez de exibir a disputa, dedicará seu espaço à série documental “Vozes da Palestina”. De maneira semelhante, a irlandesa RTE optou por transmitir o seriado clássico “Father Ted”, enquanto a TV pública espanhola substituirá o festival pelo especial musical “A Casa da Música”.
O movimento de resistência não se limitou à transmissão. Espanha, Irlanda, Islândia, Holanda e Eslovênia decidiram não enviar representantes ou composições para esta edição. A decisão é justificada pelas emissoras como uma forma de protesto contra as ações militares de Israel na Faixa de Gaza, além de denúncias recorrentes sobre tentativas de influência política nos resultados de anos anteriores.
Segurança reforçada em Viena
Embora países como Holanda e Islândia tenham optado por não participar, ambos mantiveram a transmissão televisiva para suas audiências locais. O festival, que atrai cerca de 160 milhões de espectadores globalmente, contará com representantes de 34 nações e da Austrália.
A tensão que permeia os bastidores do evento também se reflete nas ruas de Viena. A polícia austríaca implementou um esquema de segurança rigoroso para os próximos dias, antecipando manifestações que devem ganhar força na próxima sexta-feira (15), data que marca o Dia da Nakba, e durante a grande final no sábado (16). Autoridades locais permanecem em alerta para garantir a integridade dos participantes e do público em meio ao clima de polarização.
O cenário para a 70ª edição do Eurovision, que deveria ser um momento de celebração cultural, acabou se tornando o epicentro de uma disputa geopolítica que coloca, novamente, a música e a diplomacia em lados opostos de um palco global.



