O aumento do feminicídio é assustador e destrói o futuro de milhares de famílias. Precisamos de prisão perpétua. Porém, só isso não resolve a situação, já que muitas vezes o agressor, para fugir da pena, tira a própria vida após cometer o feminicídio. Dessa forma, ele acredita que sairá impune. Por isso, apenas a prisão não resolve a covardia cometida por esses homens.
A frase “Quem ama, não mata!” é a pura verdade. Quem ama quer o bem do outro, quer ver a pessoa feliz, mesmo que não seja consigo. Amar é colocar a felicidade do outro acima de qualquer interesse. O feminicídio é o ato extremo que finaliza um longo calvário de sofrimento vivido pela mulher e por seus filhos. Hoje, mulheres de todas as classes sociais são afetadas. O que está por trás de todos esses crimes, além da crueldade? Um dos fatores que percebemos é a certeza da impunidade. São homens com a masculinidade ferida, intolerantes à frustração e à rejeição. São homens adoecidos mentalmente.
Muitos cresceram em lares marcados pela violência doméstica, pelo abuso de álcool e drogas. Outros cresceram como crianças mimadas, sem limites. Tudo isso afeta profundamente a saúde mental do indivíduo. Um filho se educa pelo exemplo. São homens que se acham donos, como na época da escravidão, acreditando poder dispor da vida das mulheres como se fossem escravas, e eles, coronéis que tudo podem. A mulher se torna propriedade na mente do agressor.
Esses dias, uma moça me contou que é espancada pelo esposo. Ele tira fotos dela ferida, em situações humilhantes, transforma em figurinhas e as envia para ela pelo WhatsApp. Ela me enviou essas figurinhas, e eu fiquei estarrecida ao ver até onde pode chegar a maldade de um ser humano. Ela me disse: “Sandra, me sinto impotente, vazia, sem forças. Me sinto um lixo.” Ela se tornou uma pessoa vulnerável, enfraquecida, sem perspectiva de vida. No dia seguinte, ele age como se nada tivesse acontecido, sem qualquer pedido de desculpas.
Fui casada por 25 anos com um homem alcoólatra que me humilhava muito. Fui vítima de violência. Quantas noites dormi chorando, achando que nunca encontraria uma saída para o meu calvário. Eu não tinha forças. Descobri que ele tinha amantes e prostitutas, além de ser um mentiroso. Um dia tomei coragem e pedi o divórcio. Fiquei com os filhos e com as contas, mas ganhei paz. Hoje sou feliz.
Infelizmente, hoje um agressor mata alguém e, depois de alguns anos, estará livre nas ruas, pronto para cometer novos crimes. Precisamos de leis mais duras, campanhas de prevenção e, acima de tudo, de homens que sejam protagonistas dessa mudança: homens que deem exemplo, que conversem com outros homens, que mostrem a importância da proteção e do cuidado com a família; homens íntegros, com valores, que ensinem seus filhos sobre respeito.
Sandra Campos perdeu, há dois anos, seu filho de 24 anos para o suicídio e se tornou uma ativista pela vida com o projeto “Não te julgo, te ajudo!” Ela se coloca à disposição para ouvir, gratuitamente, pessoas em sofrimento. Celular: (11) 94813-7799.




