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Projeto de R$ 2,5 milhões é aprovado sob críticas e cobrança por transparência no COMTUR de Paraguaçu Paulista

Reunião no Paço Municipal teve pedido formal de acesso às contas do Fundo Municipal de Turismo, questionamentos sobre prioridades do setor, críticas à falta de antecedência para votação e debate sobre o futuro da EXPO Paraguaçu.

Projeto de R$ 2,5 milhões é aprovado sob críticas e cobrança por transparência no COMTUR de Paraguaçu Paulista

Uma reunião do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR) de Paraguaçu Paulista, realizada na tarde da última quarta-feira (20), no Paço Municipal, foi marcada por debates intensos, cobranças por transparência, divergências sobre prioridades do turismo local e pela aprovação — sob contestação de parte dos conselheiros — de um projeto estimado em R$ 2,5 milhões para implantação da nova sede da Secretaria Municipal de Turismo e do Centro de Atendimento ao Turista (CAT).

O encontro, iniciado às 14h, também abordou temas sensíveis, como o uso do Fundo Municipal de Turismo (FUTUR), a queda do município no ranking das estâncias turísticas paulistas, exigências do Ministério do Turismo e rumores sobre a possível não realização da tradicional Festa das Nações em 2026.

Esplanada Hotel Paraguacu Paulista

Pedido formal cobra transparência sobre recursos do Fundo Municipal de Turismo

Um dos primeiros assuntos da reunião foi a apresentação de um requerimento protocolado junto ao COMTUR, solicitando acesso a documentos e informações sobre o Fundo Municipal de Turismo (FUMTUR).

O documento, que já foi noticiado pelo Folha de Paraguaçu, fundamentado na Lei de Acesso à Informação e no princípio constitucional da publicidade dos atos públicos, solicita:

  • Extratos e saldos do fundo desde 2021;
  • Informações bancárias da conta vinculada ao fundo;
  • Prestação de contas e balanços anuais;
  • Relação detalhada de receitas e despesas;
  • Memorial de investimentos, projetos financiados e destinação dos recursos.

O requerimento estabelece prazo legal para resposta e menciona eventual acionamento de órgãos de controle caso as informações não sejam disponibilizadas.

Durante a reunião, representantes da Secretaria de Turismo afirmaram que parte dos documentos solicitados não estaria sob responsabilidade direta da pasta e dependeria dos setores financeiro e contábil da Prefeitura.

Segundo foi informado, os pedidos internos já teriam sido encaminhados aos departamentos competentes.

O tema provocou um dos primeiros momentos de tensão do encontro, principalmente pela discussão sobre o papel do conselho na fiscalização dos recursos destinados ao turismo.

Projeto da nova sede do Turismo domina reunião

O principal tema da pauta foi a apresentação do projeto arquitetônico para a reforma e adaptação de um prédio que deverá receber a nova sede da Secretaria Municipal de Turismo e um novo Centro de Atendimento ao Turista (CAT).

A apresentação contou com exibição de vídeo do projeto e explicações técnicas sobre a concepção arquitetônica.

O que prevê o projeto

De acordo com os responsáveis pela apresentação, a proposta prevê:

  • Reforma estrutural do prédio existente;
  • Criação de uma nova recepção para atendimento ao turista;
  • Implantação de banheiros acessíveis;
  • Plataforma de acessibilidade;
  • Espaço para reuniões institucionais;
  • Ambiente destinado ao próprio COMTUR;
  • Melhorias voltadas ao conforto térmico e eficiência energética.

CAT Paraguacu Paulista

Segundo os arquitetos envolvidos, o projeto busca valorizar elementos visuais ligados à identidade regional de Paraguaçu Paulista, especialmente a tonalidade avermelhada do solo local e referências paisagísticas do município.

Também foram apresentados recursos arquitetônicos como brises, cobogós e sombreamento estratégico para reduzir incidência solar e consumo de energia.

Além disso, foi destacado que a proposta busca reaproveitar boa parte da estrutura já existente do imóvel, reduzindo intervenções mais profundas.

Justificativa: trem turístico e nova estrutura administrativa

A justificativa técnica apresentada durante a reunião foi de que a atual sede da Secretaria de Turismo — localizada no prédio da estação ferroviária — deverá futuramente ser utilizada para operação do trem turístico e cultural.

Segundo os defensores da proposta, a mudança permitiria:

  • Melhor estrutura administrativa;
  • Atendimento mais moderno aos visitantes;
  • Fortalecimento das políticas públicas do setor;
  • Ampliação da capacidade de planejamento turístico.

Também foi argumentado que o novo espaço serviria como ambiente de articulação entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil organizada.

Projeto milionário gera debate sobre prioridades do turismo

Apesar dos elogios ao conceito arquitetônico do projeto, parte dos conselheiros questionou se a obra seria, neste momento, a principal prioridade do turismo municipal.

Durante a discussão, foram levantadas dúvidas sobre a concentração de recursos em uma estrutura administrativa enquanto outros atrativos turísticos do município ainda demandariam investimentos.

Entre os questionamentos apresentados estiveram:

  • Falta de investimentos em atrativos turísticos;
  • Necessidade de fortalecimento de produtos turísticos já existentes;
  • Destinação prioritária de recursos;
  • Possível impacto do investimento sobre outros projetos futuros.

Um dos membros do conselho argumentou que o município deveria discutir se a aplicação de milhões em uma nova sede administrativa seria mais prioritária do que investimentos diretos em atrações turísticas.

Também foi citado o histórico de outros projetos anteriormente discutidos no conselho, como propostas ligadas ao cicloturismo.

Quanto custará a obra?

Segundo informações apresentadas na reunião, o investimento previsto será de aproximadamente R$ 2,5 milhões do Governo do Estado de São Paulo.

A administração informou ainda que a proposta original teria sido maior, mas precisou ser ajustada em razão do limite financeiro disponível no programa estadual.

Representantes da Secretaria de Turismo afirmaram que existe prazo para apresentação e utilização do recurso, o que justificaria a necessidade de rápida deliberação.

Falta de antecedência gera forte reação no conselho

Se houve um ponto que concentrou maior desconforto entre parte dos conselheiros, foi a forma como a votação aconteceu.

Diversos participantes reclamaram que:

  • O material não teria sido enviado previamente;
  • Não houve prazo adequado para análise;
  • A reunião teria sido convocada em curto espaço de tempo;
  • Um projeto milionário estaria sendo apreciado sem discussão técnica aprofundada.

Alguns membros defenderam que documentos dessa magnitude deveriam ser compartilhados com antecedência mínima de 7 a 10 dias.

Também foi sugerido:

  • envio de PDFs;
  • compartilhamento de links dos projetos;
  • disponibilização de planilhas e orçamentos para análise prévia.

Um dos posicionamentos mais enfáticos destacou que:

“Isso aqui é dinheiro público”.

Houve ainda quem defendesse o adiamento da votação para permitir estudo mais aprofundado do projeto.

Secretaria defende urgência e diz que recurso poderia ser perdido

Em resposta às críticas, representantes da Secretaria Municipal de Turismo defenderam que o tema já vinha sendo discutido anteriormente no conselho e afirmaram que o prazo para aprovação do recurso seria curto.

A argumentação apresentada foi de que a demora poderia comprometer a liberação do investimento estadual.

Também foi ressaltado que o conselho teria autonomia para buscar informações diretamente junto à secretaria e acessar documentos relacionados aos projetos.

Projeto acaba aprovado após votação

Mesmo diante dos pedidos de adiamento e das críticas ao processo, o projeto foi colocado em votação.

A reunião registrou manifestações favoráveis e contrárias.

COMTUR terá de elaborar plano de trabalho para recursos federais

Outro tema discutido foi a necessidade de adequação do COMTUR às novas exigências do Ministério do Turismo.

Foi informado que o conselho deverá elaborar um Plano de Trabalho contendo:

  • metas;
  • planejamento anual;
  • objetivos específicos;
  • ações previstas;
  • organização das atividades do conselho.

Segundo os participantes, a medida passa a ser essencial para habilitação do município na obtenção de recursos federais.

Paraguaçu perdeu posições entre estâncias turísticas?

Durante o encontro também surgiu um questionamento sobre a posição de Paraguaçu Paulista no ranking estadual das estâncias turísticas.

Foi mencionado que o município teria caído de posição nos últimos anos. No ranking oficial das Estâncias Turísticas do Estado de São Paulo, Paraguaçu Paulista ocupa atualmente a 56ª posição. Anteriormente, no balanço de 2021, a cidade figurava na 38ª colocação.

Em resposta, a Secretaria de Turismo afirmou que o índice considera diversos critérios, incluindo dados da rede hoteleira, indicadores técnicos e participação do município em diferentes requisitos de pontuação.

Segundo foi dito, a pasta estaria trabalhando para recuperar competitividade e melhorar o desempenho da cidade nos próximos ciclos de avaliação.

Expo Paraguaçu 2026: haverá ou não?

Outro momento que chamou atenção ocorreu durante perguntas sobre rumores envolvendo a realização da Expo Paraguaçu.

Questionado diretamente sobre a possibilidade de o evento não acontecer em 2026, o secretário afirmou que não há recursos suficientes dentro da estrutura atual do município, mas declarou estar buscando alternativas.

A fala praticamente confirma os rumores que circulavam nos bastidores: a EXPO Paraguaçu 2026 ainda não está confirmada. Durante a reunião, o secretário reconheceu limitações financeiras, afirmou que não há recursos suficientes no cenário atual e admitiu que, embora esteja buscando alternativas, não pode assegurar a realização do evento.

Também foi descartada a hipótese de entregar a organização integral do evento para exploração da iniciativa privada.

Segundo a secretaria, a intenção seria buscar um formato financeiramente sustentável via lei de insentivo e que gere impacto econômico para a cidade, especialmente no comércio e rede hoteleira.

Clima de tensão e cobrança por mais transparência

Ao final da reunião, ficou evidente um cenário de maior cobrança dentro do COMTUR.

Conselheiros defenderam:

  • mais transparência;
  • envio prévio de documentos;
  • maior participação nas decisões;
  • fortalecimento do papel fiscalizador do conselho.

Por outro lado, representantes da Secretaria de Turismo defenderam abertura ao diálogo, negaram irregularidades e afirmaram que os projetos e documentos estariam disponíveis para consulta.

O encontro terminou com a aprovação do projeto, mas também com um recado claro de parte do conselho: os próximos debates sobre investimentos no turismo deverão enfrentar exigência crescente por planejamento, transparência e participação.

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