Justiça nega prisão de ex-secretário de Assis em caso de ataque
O juiz Adugar Quirino, da Vara Criminal de Assis, indeferiu o pedido de prisão preventiva contra Leandro Aguilera Bergonso, ex-secretário de Governo do município. A decisão integra o desdobramento de uma investigação complexa que apura, entre outros crimes, uma ação armada contra o vereador Fernando Sirchia, ocorrida em março deste ano.
Decisão divide réus em Assis
Embora a Justiça tenha recebido a denúncia do Ministério Público contra nove investigados, o magistrado optou por tratamentos distintos entre os acusados. Enquanto sete pessoas tiveram a prisão preventiva decretada — incluindo Leandro Gonçalves Gabrigna e Wagner Binati —, Bergonso e Hugo Ricardo Gonçalves permanecerão em liberdade durante o trâmite processual.
A investigação aponta que houve suposta intervenção no sistema de videomonitoramento municipal. Relatos indicam que uma gravação essencial para o esclarecimento do atentado não foi apresentada, e uma perícia no sistema Luxriot detectou vestígios de manipulação que podem ter apagado registros de auditoria.
Medidas cautelares rigorosas
Apesar de evitar o encarceramento, o juiz estabeleceu medidas cautelares estritas baseadas no artigo 319 do Código de Processo Penal. Leandro Bergonso está terminantemente proibido de acessar, seja de forma presencial ou remota, o Centro de Controle Operacional (CCO) da prefeitura, bem como servidores e backups do sistema de monitoramento.
Além disso, o ex-secretário foi proibido de manter contato com os demais réus e deverá permanecer na comarca de Assis, não podendo se ausentar por mais de oito dias sem autorização judicial prévia. A Prefeitura de Assis também foi notificada para suspender imediatamente todos os acessos do ex-secretário aos sistemas digitais da pasta.
Andamento das investigações
A negativa da prisão preventiva não significa a inocência do investigado ou o arquivamento das acusações. A denúncia contra Bergonso foi formalmente recebida e ele passa a ser réu no processo criminal, onde deverá se defender das acusações de obstrução e possível envolvimento com o contexto do ataque ao parlamentar.
O magistrado ressaltou que, neste momento da instrução criminal, as medidas cautelares são suficientes para resguardar a ordem pública e a integridade da prova. Enquanto isso, o sigilo externo sobre o processo foi levantado, permitindo que as defesas acessem a documentação, com exceção das diligências que seguem em curso para a coleta de novos laudos periciais dos aparelhos celulares apreendidos.



