O Brasil virou terra de ninguém? O caso da fábrica chinesa na Bahia

Recentemente, soubemos de uma fábrica chinesa na Bahia que está empregando trabalhadores chineses, o que acende um alerta vermelho sobre a nossa economia.
A fábrica chinesa na Bahia
A primeira pergunta é: quais leis eles obedecem? Estão sob as regras brasileiras ou seguem as leis da China? Sabemos que a China não tem os benefícios da nossa CLT, mas, por outro lado, nossas leis são tão rígidas que quase impedem uma produção eficiente. Nessa fábrica, porém, a produtividade parece altíssima, o que nos faz questionar o peso do Estado na nossa indústria.
O segundo ponto é: por que trazer chineses? Não há mão de obra na Bahia ou o brasileiro não é qualificado o suficiente? Isso escancara a falência do nosso sistema educacional. Nossas escolas não parecem preparar ninguém para o século XXI, mas sim para a ignorância, sem as competências necessárias para um mundo industrial competitivo. Além disso, nossas leis trabalhistas não criam empregos; elas tiram oportunidades ao encarecer o trabalho. Enquanto a indústria nacional definha e o agronegócio se mecaniza, eliminando vagas que nunca mais voltarão, ficamos para trás.
A questão aqui é a soberania. No século XIX, a China foi retalhada por impérios estrangeiros em “áreas de concessão” onde ela não mandava em nada. Hoje, ela faz o inverso: cria parcerias em que define as regras e o país hospedeiro vira um mero espectador. O governo brasileiro deu subsídios e isenções para essa fábrica, mas onde está o benefício, se nem os empregos são para brasileiros? Estamos aceitando uma concessão injusta dentro do nosso próprio território.
Soberania não é só proteger fronteiras; é garantir segurança alimentar, energética e a dignidade do trabalho. Expor o brasileiro a essa competição sem proteção é uma violação grave. Para ser um bom negócio, a China deveria produzir aqui seguindo nossas leis e contratando nossa gente. Enquanto aceitarmos esses acordos mal costurados, continuaremos vendo nossa indústria sumir. O Brasil não pode ser apenas um espectador da própria exploração; ou retomamos o controle da nossa produtividade, ou nossa soberania será apenas decorativa.
Luiz Philippe de Orleans e Bragança




