
A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma doença que já existe há muitos anos e está associada a um quadro de infecção, onde a resposta imunológica do nosso organismo, ou seja, os anticorpos produzidos, passam a atacar as células nervosas, levando à inflamação nos nervos e, consequentemente, fraqueza, formigamento e paralisia muscular, podendo ser fatal.
Cada neurônio tem sua “capa protetora”, a bainha de mielina, que é a membrana que os recobre e acelera a condução do impulso nervoso. Em uma situação de infecção, os anticorpos que lutariam contra os vírus também passam atacar essa membrana, e isto impede que o sinal nervoso seja transmitido para os músculos, causando os sintomas. Essa síndrome pode aparecer diante de várias infecções, como a provocada pelo vírus da gripe(influenza) ou o Zika. Ela afeta mais pessoas acima dos 50 anos de idade. No entanto, há tratamento, a maior parte das pessoas se recuperam do problema, e é extremamente rara.
Raríssimos são os casos em que a síndrome ocorreu dias ou semanas após a aplicação de vacinas contra a gripe ou tétano, por exemplo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações, desde 1976, muitos estudos têm sido realizados, mas até hoje não foi estabelecida a relação das vacinas com a síndrome, apenas coincidência temporal entre a vacinação e o posterior aparecimento dos sintomas. Da mesma maneira, ocorre com a vacina contra a covid-19, especificamente a Janssen.
A empresa Jonhson & Johnson passou a colocar a síndrome de Guillain-Barré na bula após o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, relatar que 100 pessoas desenvolveram doença entre 12,5 milhões de vacinados com o imunizante. Além da incidência ser muito baixa, esses casos ainda não foram comprovadamente ligados à vacina. Incluir a SGB na bula representa uma atitude preventiva.
Não há estudos que associem a própria infecção pelo coronavírus a essa síndrome, embora alguns casos tenham ocorrido. No entanto, é muito mais arriscado desenvolver um quadro grave de Covid-19 do que apresentar uma reação adversa à vacina. Ou seja, não faz sentido ter medo de receber o imunizante.
Há alguns anos, quando houve um surto de zika no Brasil, notou-se uma alta de casos nas regiões mais afetadas por essa infecção, como o Nordeste do país. A primeira associação entre a síndrome e o zika foi feita em 2013 em um estudo na Polinésia Francesa: quase todos os indivíduos pesquisados que desenvolveram a Guillain-Barré haviam sido infectados por esse agente infeccioso.