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Colômbia Corta Energia ao Equador Após Crise Tarifária

A Colômbia suspendeu a venda de energia elétrica para o Equador, uma medida que intensifica as tensões na região andina. A decisão surge após o presidente equatoriano, Daniel Noboa, impor uma tarifa de 30% sobre produtos colombianos, alegando falta de cooperação na luta contra o narcotráfico. A ação colombiana, que oficialmente prioriza sua “soberania energética” e o risco de um novo El Niño, levanta questionamentos sobre sua verdadeira motivação, dada a coincidência com a retaliação tarifária de Quito.

Escalada de Tensões e o Narcotráfico

Na quarta-feira (21), o Equador, liderado por Daniel Noboa, anunciou uma “taxa de segurança de 30%” sobre importações colombianas. A justificativa foi a “falta de reciprocidade e ações firmes” de Bogotá no combate ao narcotráfico, um problema que tem mergulhado o Equador em uma crise de segurança sem precedentes.

Essa tarifa foi o estopim para a mais recente escalada diplomática. O governo equatoriano, que enfrenta uma onda de violência do crime organizado, busca responsabilizar a Colômbia pela suposta falha em conter o fluxo de drogas e criminosos através das fronteiras.

Soberania Energética ou Resposta Comercial?

O Ministério de Minas e Energia colombiano emitiu uma resolução suspendendo as Transações Internacionais de Eletricidade (TIE) entre os países. A medida é justificada como “preventiva”, visando proteger a segurança energética colombiana frente a incertezas climáticas e a projeção de um El Niño intenso.

O ministro Edwin Palma reforçou que, apesar de “acreditar na integração energética”, as condições atuais impedem a manutenção das transações sem comprometer o abastecimento nacional. Ele salientou o dever do Estado de “garantir energia segura e confiável” para os cidadãos e a economia colombiana.

Historicamente, a Colômbia foi um suporte energético fundamental para o Equador. Durante a crise hídrica e os apagões diários equatorianos entre 2023 e 2024, Bogotá chegou a duplicar seus envios de eletricidade, demonstrando solidariedade. A interrupção atual, portanto, representa uma guinada significativa nessa relação de cooperação.

A Folha de Paraguaçu continua atenta aos desdobramentos dessa complexa situação, que adiciona incerteza às já frágeis relações diplomáticas e comerciais na América do Sul, com possíveis repercussões para o abastecimento energético e a estabilidade regional.

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