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Cultura e PessoasDireitos Humanos

Vamos repensar nosso vocabulário?

Um convite à reflexão e à mudança

Estudos dizem que chegamos a pronunciar 20 mil palavras por dia. Mas você já parou para pensar no significado das palavras do nosso vocabulário? E em quantas vezes reproduzimos, mesmo sem querer, expressões e termos racistas ou que reforçam estereótipos?

Neste texto, apresentamos uma série de palavras e expressões que estão no nosso vocabulário cotidiano e que nos fazem reproduzir discursos preconceituosos:

A COISA TÁ PRETA

O termo associa a palavra “preto” com uma situação desconfortável, desagradável, difícil ou perigosa.

DIGA: a coisa tá difícil

A DAR COM PAU

Tem origem nos navios que traziam os povos escravizados, quando algumas pessoas preferiam morrer de fome a serem escravizadas. Assim elas eram alimentadas à força com um tipo de colher de pau grande, daí vem a expressão “a dar com pau”.

DIGA: bastante, muito

ATÉ TENHO AMIGOS QUE SÃO NEGROS

Frase de defesa quando se aponta alguma atitude ou fala racista. Não utilizar. Repense seu comportamento. Vivemos em uma sociedade racista, infelizmente, ainda é comum reproduzirmos falas racistas sem nos darmos conta.

Não use esta expressão!

CABELO RUIM, CABELO DE BOMBRIL, CABELO DURO

Termos racistas usadas como bullying que depreciam a imagem e o cabelo de pessoas negras. Falar mal das características dos cabelos Afro também é racismo.

VOCÊ DEVE FALAR: cabelo crespo, cacheado, afro

COR DE PELE

A expressão ficou conhecida para descrever a cor rosa-claro, fazendo referência à pele de pessoas brancas. Porém, como já é sabido, não existe apenas uma cor de pele, vivemos uma sociedade mista e plural.

SUBSTITUA POR: rosa-claro ou bege

COR DO PECADO

Utilizada erroneamente como elogio, se associa ao imaginário da mulher negra sensualizada. Em uma sociedade pautada na religião, pecar não é positivo, ser pecador é errado, e ter a ruim. Outra expressão que faz a mesma associação de que negro = negativo.

Não use esta expressão!

COISA/SERVIÇO/TRABALHO DE PRETO

Usado para descrever um serviço mal feito. O termo é carregado de preconceito, uma vez que descreve as pessoas negras como incapazes e preguiçosas. Jamais use estas expressões!

SUBSTITUA POR: trabalho errado

CRIADO MUDO

Você sabia que o nome dado a este móvel faz referência aos criados (geralmente escravizados) que deviam segurar objetos para seus senhores? Como estes criados não podiam falar, eram considerados mudos, daí o termo criado-mudo.

DIGA: mesa de cabeceira

DENEGRIR

Tem como real significado “tornar negro”, “escurecer”. É usado para difamar ou acusar injustiça por outra pessoa, sempre usado de forma pejorativa, ou seja, utilizar esta palavra pejorativa é extremamente racista.

USE ENTÃO: difamar

DOMÉSTICA

Domésticas eram as mulheres negras que trabalhavam dentro da casa das famílias brancas e eram consideradas domesticadas.

DIGA: empregada, funcionária

ESCRAVO

Este termo trata os africanos como passivos e desprovidos de subjetividade. Os africanos que vieram para o Brasil eram pessoas, reis, rainhas, camponeses, homens e mulheres escravizados contra a sua vontade.

SUBSTITUA POR: pessoas escravizadas e escravidão por escravização

FAZER NAS COXAS

Acredita-se que a expressão vem da técnica utilizada pelos escravizados para fazer telhas. Por serem artesanais e seguirem os formatos dos corpos, as peças não se encaixaram bem umas nas outras, sendo consideradas mal feitas.

FALE: mal feito

HUMOR NEGRO

Usam para descrever um tipo de humor ácido e com piadas de mal gosto com temas mórbidos, sérios ou tabus com tom politicamente incorreto.

VOCÊ PODE USAR: humor ácido

INVEJA BRANCA

Associa o “negro” ao negativo, a algo que faz mal e o “branco” ao que é positivo, uma inveja boa, um sentimento do bem.

USE APENAS: inveja

JUDIARIA

Do verbo “judiar”, significa tratar como os judeus foram tratados. É usado como sinônimo de fazer sofrer, atormentar, maltratar ou ainda com tom de pena. A palavra possui uma carga negativa e preconceituosa muito grande.

SUBSTITUA POR: sofrimento, maltrato

LISTA NEGRA

Usada para descrever pessoas que, por alguma razão negativa, estão excluídas de certos grupos, ou ainda que uma pessoa está sendo perseguida. Mais uma vez a palavra “negra” é usada como algo negativo.

DIGA: lista proibida/restrita

MERCADO NEGRO

Muito usado para se refererir a um sistema de compras e vendas clandestino, ilegal.

SUBSTITUA POR: mercado clandestino

MORENO(A)

Pessoas acreditam que chamar alguém de negro ou preto é ofensivo. Falar “morena” ou “mulata”, embranquecendo a pessoa, “amenizaria” o “incômodo”. Você deve se referir a pessoa pelo nome ou questioná-la como ela prefere ser descrita.

MULATO(A)

A palavra significa literalmente: mula, a cruza de um asno macho com uma égua. O termo surge na época da escravização, quando muitas mulheres escravizadas eram violentadas por “seus senhores” e tinham filhos que eram chamados de mulatos.

SUBSTITUA POR: pardo(a) ou mestiço(a)

NÃO SOU TUAS NEGAS

Trata a mulher negra como ”qualquer uma” ou “de todo mundo” , relembra o tratamento às mulheres escravizadas que eram, seguidamente, assediadas e estupradas. A frase deixa explícita que com “as negras pode tudo” , e com as demais não se pode fazer o mesmo, e no tudo está incluso desfazer, mal tratar. Portanto, além de profundamente racista, o termo é carregado de machismo.

Não use esta expressão!

NEGA MALUCA

Há uma lenda que diz que o termo foi criado quando uma mulher escravizada estava fazendo um bolo e acidentalmente deixou cair cacau em pó na receita e, ao invés de descartar a massa, seguiu criando o bolo de chocolate. O termo reforça estereótipos.

DIGA APENAS: bolo de chocolate

NHACA

Desde a época colonial o termo é usado para falar de algo com cheiro forte, desagradável. O que pouca gente sabe é que Inhaca é uma ilha de Moçambique e é daí que vem o uso do termo, mais uma vez para reforçar estereótipos e preconceitos.

DIGA APENAS: cheiro ruim

TEM O PÉ NA COZINHA

Usada de forma preconceituosa para falar de pessoas de origem negra, uma vez que na época da escravização, este era o espaço destinado às mulheres negras.

Não use este termo!

SAMBA DO CRIOULO DOIDO

É o título de uma canção de samba, composta por Sérgio Porto (pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta), que ironizava a obrigatoriedade de as escolas de samba retratarem em seus enredos apenas temas de fatos histórico. Porém a expressão debochada reforça um estereótipo e descriminação aos negros.

DIGA: confusão, trapalhada, bagunça

Fonte: Cartilha organizada pelo PARA TODOS, Programa Sesc e Senac de diversidade.

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